O outro lado da pirataria de softwares
Esse tema é muito contraditório, e pode levar a grandes discussões. Com certeza a pirataria é prejudicial, é crime, e deve ser combatida, mas em alguns casos de softwares ela se torna mais do que uma forma de prejudicar a softhouse, e acaba sendo um instrumento de divulgação.
Hoje sabemos que a grande maioria das cópias Windows instaladas no Brasil, por exemplo, são piratas, e esse uso massivo tem os dois lados da moeda, as perdas que a empresa tem por existirem um grande número de cópias piratas contra a massificação do uso do sistema, o que faz com que as empresas usem esse sistema, e elas são fiscalizadas e tem seus sistemas originais (não todas as empresas é claro).
Essa massificação do Windows só aconteceu porque a pirataria tornou ele o sistema operacional mais comum. Se isso tivesse ocorrido com o Linux veríamos esse segundo sistema com maior uso. A massificação acaba por criar muitos cursos para que se aprenda a trabalhar com o sistema (escolinhas espalhadas pelas cidades, que normalmente ensinam o pacote Windows/Office e que em caso raros tem Linux/OpenOffice). Quem ganhou com a pirataria? Podemos dizer que a Microsoft ganhou muito mais do que perdeu, pois um pacote com cópias originais para uma grande empresa acaba tendo muito mais valor do que a cobrança para usuários domésticos.
Já ouvi várias vezes pessoas dizerem que tem medo por ter seu windows pirata em casa, e sempre digo a elas que a chance de um auditor da Microsoft aparecer lá é zero. Mas se a sua empresa tem um grande número de computadores certamente um dia eles vão aparecer para bater um papo.
Não faço ideologia a todos terem cópias piratas do Windows, mas comprar uma cópia não é para todos, os preços normalmente estão muito acima do que uma pessoa no Brasil pode pagar.
O caso Windos é apenas um dos muitos que acontecem no Brasil. Qual o nome que vem a sua cabeça quando se fala de edição de imagens? Photoshop. Também com muitas cópias piratas. Programação? Delphi, idem. E tantos outros: Macromedia Flash, Dreamweaver, Winzip, Winrar, McAfee, Norton e tantos outros programas que tem muitas cópias pirateadas. Todos tem os dois lados da moeda. Usuários domésticos piratas e empresas com sistemas originais, já que seus empregados são “especializados” nesses programas. Coisa do Brasil do Software livre.
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outubro 22nd, 2007 at 9:20 pm
(Papo de linuxer de lado: apesar do que é dito, Windows não é necessariamente mais fácil de usar. Relatos contam que pessoas que usam MacOS desde cedo chegam em um Windows e não sacam bulhufas. É realmente uma questão de prática, e a pirateação em massa contribui. E agora chega, senão escrevo outro post.)
outubro 24th, 2007 at 11:23 am